Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Terça-feira, Outubro 25, 2005
Desarrumo.
Tem tanta coisa bagunçada dentro da minha cabeça, nestes dias, que não consigo me encontrar.
Quase esqueço...
O trabalho me anestesia. Não tenho (mesmo, nem se dê ao trabalho de me psicoanalizar) escolha. A escolha foi feita muito tempo atrás. São tantas as responsabilidades no dia-a-dia que quase me esqueço dos meus desejos. De quase todos, pelo menos. Não esqueço nunca meu desejo de descansar.
Neverending battle.
Entreguei o texto, finalmente. Agora, basta finalizar os outros 30 até o final do mês...
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Castigo...

Estou de castigo.
Por isso que não pude postar e não devo postar mais hoje...
Desde cedo preparando um texto que deveria ter sido entregue na última sexta feira, mas que - por toda a loucura no trabalho - só tá saindo hoje... e olhe lá.
Perdi uma sessão gostosa de cinema, porcausa desse troço...
Domingo, Outubro 23, 2005
A Paquera 3 (leia antes os posts anteriores).
Depois que saí dali, com os Superfriends, a gente sentou numa creperia pra falar da vida. E com eles, eu sinto que posso falar tudo. E isso é bom demais. Eles são namorados e sabem de mim. É interessante circular assim por uma night mais light, depois de um dia como tive ontem.
E fiquei impressionado com a quantidade de caras gays na rua. Comendo, bebendo, conversando... feito gente normal:P Feito eu.
Quando lembrei e contei pra eles da 'paquera', não pude deixar de ficar imaginando o que teria acontecido se eu desse corda pro rapaz... No final das contas, nem dei chance de que nada acontecesse. Sou um preconceituoso, viu?
E fiquei impressionado com a quantidade de caras gays na rua. Comendo, bebendo, conversando... feito gente normal:P Feito eu.
Quando lembrei e contei pra eles da 'paquera', não pude deixar de ficar imaginando o que teria acontecido se eu desse corda pro rapaz... No final das contas, nem dei chance de que nada acontecesse. Sou um preconceituoso, viu?
A Paquera 2 (leia antes o post anterior).

Eu não tenho experiência nessas coisas. Nunca tinha sido abordado assim, diretamente. Mas eu já tava esperando aquilo. Pelo jeito dele me cercar, ir e vir sem sair do lugar, sondando se eu estava mesmo sozinho, se eu poderia 'corresponder', esses lances...
Então ele veio, como quem não quer nada, e puxou a conversa mais furada que poderia... Perguntou o que eu achei da peça, falou alguma coisa sobre não ir muito ao teatro, e comentou que outra peça do mesmo autor era muito mais engraçada (o que eu nem acho, embora ontem a turma no palco estivesse com os ânimos visivelmente abalados por alguma razão)... E eu sempre monossílabo, visivelmente sem jeito.
Eu já tava ficando agoniado, sem saber como sair daquela situação... Apesar de estar achando aquilo ótimo pro ego e pra meu estado de espírito um tanto quanto abalado nas áreas da auto-estimação, me preocupava porque o cara não tinha nada a ver comigo e eu nunca tinha passado por aquilo.... Quando, de repentemente, surge um dos atores - amigo dos meus amigos- que disse que os Superfriends (link) estavam me esperando do outro lado. E a Liga da Justiça me salvou, mais uma vez.
A Paquera.

Ontem, fui ao teatro. Mas encontrei a peça na escadaria do prédio, na saída do espetáculo.
Já tinha reparado que ele olhava para mim desde antes. Desde a fila dos ingressos. Cerca de 20 anos, talvez um pouco mais; pele clara; cabelos curtos; altura legal e aquela barriguinha (ainda perdoável) de quem não pratica esportes e leva uma vida sedentária. E sozinho, sábado à noite num teatro, como eu. Apesar de não ser feio, não era lindo, mas isso pouco me importava. Certamente, não era de se jogar fora assim, sem trocar algumas palavras antes.
O problema estava em sua postura . Parecida demais com a de um sobrinho meu, da mesma idade, que virou 'crente' outro dia. Não sei se sei explicar... Sabem aquelas pessoas inteligentes e tudo, mas que vivem deslocadas de quase todo grupo social, feito nerd de filme americano (veja o tipo aqui no trailer desse filme mto bom) ? O rapaz era desses assim... E, no final da peça, enquanto eu esperava meus amigos, ele deu voltas e voltas, fingiu que telefonava na minha frente, saiu do prédio e voltou, sempre olhando pra mim até que finalmente criou coragem e se aproximou.
Sábado, Outubro 22, 2005
Saturday Night Live as a Living Dead.

Sozinho, sem conseguir me mexer. Olhando as paredes vazias...
Tentei chamar alguns amigos para sair. Não deu.
Também não sei sair sozinho, não teria lugar para onde eu fosse que não me entristecesse ainda mais. Iria ficar olhando as pessoas, as famílias, os casais e me sentindo tão não parte daquilo...
Sou um merda. Sábado à noite e eu aqui, assim.
Argh! Sou um morto vivo. Queria mais era devorar meu próprio cérebro.
Quero Colo.

Quero Colo
Ah! Eu quero colo
Quero colo sim, tipo surpresa
Quero só ter alguém sempre a mesa
Que me olhe nos olhos e sinta
Sinta que eu quero colo
De alguém que me chame
Me chame de amigo
Que me envolva então reclame um sentido
Pra loucura, pra loucura que é a gente se amar
Eu quero colo pra que eu possa ficar feito um menino
Pra esquecer que existe a dor como destino
Do amor que nasce e morre
Porque é assim que deve ser
Eu quero colo, que me acolha e me afogue feito um sonho
Que perceba que eu quero e o que eu proponho
É uma vida ou um momento pra viver
(Fábio Júnior)
Por que não tenho postado tanto...
Minha semana tá difícil.
No trabalho, colegas de férias deixaram todo seu peso nas minhas costas, além de funções (e muitos compromissos) para as quais não tenho o mínimo talento... Em casa, meus pais viajaram (para o casamento de um parente mto querido) e deixaram tudo para eu cuidar... inclusive carro em revisão, mil outras coisas pra resolver, minha irmã adolescente, 3 cachorros e um papagaio neurótico...
Ontem, depois de um dia insano de (muito) trabalho - cheíssimo de pepinos pra resolver- e afazeres domésticos entrecruzando-se o tempo inteiro, tive que sair para (o que deveria ser uma noite divertida) dois passeios distintos (leia-se: em lugares diversos, etc, etc...) com dois grupos diferentes de amigos ao mesmo tempo (totalmente incompatíveis). E, embora amigos de verdade, ninguém em nenhum dos dois grupos sabe de mim (leia-se: de minha sexualidade e razão por não estar namorando ninguém). Fui para a noite assim, contando o tempo que passava em um lugar para ter condições de sair para o outro, antes que ficasse tarde demais. E, nos dois lugares, eu era apenas parte de mim. Não só por estar ansioso com o outro compromisso, como por não poder relaxar (leia-se: paquerar, olhar as pessoas...).
Tem dias assim, quando quero férias de mim mesmo. Tô cansado, cansado e cansado. E querendo sair.
No trabalho, colegas de férias deixaram todo seu peso nas minhas costas, além de funções (e muitos compromissos) para as quais não tenho o mínimo talento... Em casa, meus pais viajaram (para o casamento de um parente mto querido) e deixaram tudo para eu cuidar... inclusive carro em revisão, mil outras coisas pra resolver, minha irmã adolescente, 3 cachorros e um papagaio neurótico...
Ontem, depois de um dia insano de (muito) trabalho - cheíssimo de pepinos pra resolver- e afazeres domésticos entrecruzando-se o tempo inteiro, tive que sair para (o que deveria ser uma noite divertida) dois passeios distintos (leia-se: em lugares diversos, etc, etc...) com dois grupos diferentes de amigos ao mesmo tempo (totalmente incompatíveis). E, embora amigos de verdade, ninguém em nenhum dos dois grupos sabe de mim (leia-se: de minha sexualidade e razão por não estar namorando ninguém). Fui para a noite assim, contando o tempo que passava em um lugar para ter condições de sair para o outro, antes que ficasse tarde demais. E, nos dois lugares, eu era apenas parte de mim. Não só por estar ansioso com o outro compromisso, como por não poder relaxar (leia-se: paquerar, olhar as pessoas...).
Tem dias assim, quando quero férias de mim mesmo. Tô cansado, cansado e cansado. E querendo sair.
Quinta-feira, Outubro 20, 2005
Rapunzel.

Por tanto tempo andei de elmo e armadura, que já não conhecia meu próprio rosto. Pensando ser cavaleiro em plena cruzada, caminhava errante, errante mesmo. Mas ao entrar no castelo, espada em punho para enfrentar dragões, descobri que eu era a donzela em perigo. Presa na torre mais alta que se formara da minha própria armadura. Esperando ser resgatada.
E é como me sinto ainda hoje, mil anos depois. Esperando que me tirem dessa torre... Esperando que meus amigos me resgatem de mim mesmo.
Mea culpa. Será?
Nunca fui daqueles de muita farra. Na verdade, sempre fui de farra nenhuma. Passei a adolescência trancado em mim mesmo, fazendo pose de sério e intelectual. Bah! Pior que 'colou'. Nos outros e, até, em mim. Na verdade era tudo desculpa para não me expor. Foi como achei de sobreviver, infelizmente.
Então, veio o período de provas. Desafiei a mim mesmo e tratei de encarar o mundo sexual lá fora. Mesmo que não fosse nem um pouco familiar com ele. Mesmo que o mano Desejo fosse um total desconhecido de minha pessoa. Namorei duas garotas, antes de entender - descobrir - que meu desejo não levava exatamente para esse lado da vida...
Entrei no período dos desafios. De descobrir a sexualidade e a homo-sexualidade, tudo ao mesmo tempo. Ninguém merece! Eita coisa complicada pra quem vivia no mundo das idéias, idealizando a própria vida e racionalizando cada palavra, cada gesto, cada atitude, cada passo no caminho... Mas foi. Aconteceu assim, que se há de fazer?
Saí. Conheci (principalmente pela net) algumas pessoas. Umas legais, outras nem tanto. Descobri sexo e desejo. Beleza, tudo legal... se não fosse somente isso. E, por onde andei, ERA apenas isso. Mas o que eu busco é muito mais... É sexo, sim, faz parte do conjunto. Mas é, principalmente companheirismo, cumplicidade, amizade, risadas, abraços, carinho, tempo, ombros, braços, peito e coração. Portanto, acabei voltando - rapidinho- pra casa (onde habito um armário no segundo andar).
Dei agora de sentir-me culpado toda noite que não saio, quando poderia sair. Dei de inventar que deveria estar na rua, mesmo quando desejo a tranquilidade de um livro ou a distração de um vídeo qualquer. Tudo isso porcausa da solidão. Ou melhor, porcausa da vontade de conhecer alguém... Acuso a mim mesmo de covardia e tudo mais...
Um dia, aprendo a me defender.
Então, veio o período de provas. Desafiei a mim mesmo e tratei de encarar o mundo sexual lá fora. Mesmo que não fosse nem um pouco familiar com ele. Mesmo que o mano Desejo fosse um total desconhecido de minha pessoa. Namorei duas garotas, antes de entender - descobrir - que meu desejo não levava exatamente para esse lado da vida...
Entrei no período dos desafios. De descobrir a sexualidade e a homo-sexualidade, tudo ao mesmo tempo. Ninguém merece! Eita coisa complicada pra quem vivia no mundo das idéias, idealizando a própria vida e racionalizando cada palavra, cada gesto, cada atitude, cada passo no caminho... Mas foi. Aconteceu assim, que se há de fazer?
Saí. Conheci (principalmente pela net) algumas pessoas. Umas legais, outras nem tanto. Descobri sexo e desejo. Beleza, tudo legal... se não fosse somente isso. E, por onde andei, ERA apenas isso. Mas o que eu busco é muito mais... É sexo, sim, faz parte do conjunto. Mas é, principalmente companheirismo, cumplicidade, amizade, risadas, abraços, carinho, tempo, ombros, braços, peito e coração. Portanto, acabei voltando - rapidinho- pra casa (onde habito um armário no segundo andar).
Dei agora de sentir-me culpado toda noite que não saio, quando poderia sair. Dei de inventar que deveria estar na rua, mesmo quando desejo a tranquilidade de um livro ou a distração de um vídeo qualquer. Tudo isso porcausa da solidão. Ou melhor, porcausa da vontade de conhecer alguém... Acuso a mim mesmo de covardia e tudo mais...
Um dia, aprendo a me defender.
Quarta-feira, Outubro 19, 2005
Conversas no engarrafamento.
Ontem meu amigo-irmão perguntou como eu estava sentimentalmente. Ele é um dos poucos que sabem de mim mas quase nunca nos falamos, realmente, sobre tudo isso, desde que me abri para ele. Conversamos brevemente, no tempo de um engarrafamento e meio sobre solidão, (falta de) privacidade e a segurança crescente que sinto nesses meus novos vôos.
Andei, nesse ano que se completa de renascimento, descobrindo meu desejo. Aprendendo a me amar de verdade (o que, em verdade, não acontecia desde o momento de minha primeira morte - já foram duas, apenas nesta vida). E somente agora, que percebo o quanto me amo e reconheço o desejo em mim, descubro que estou pronto, finalmente para amar e desejar alguém. De verdade.
Andei, nesse ano que se completa de renascimento, descobrindo meu desejo. Aprendendo a me amar de verdade (o que, em verdade, não acontecia desde o momento de minha primeira morte - já foram duas, apenas nesta vida). E somente agora, que percebo o quanto me amo e reconheço o desejo em mim, descubro que estou pronto, finalmente para amar e desejar alguém. De verdade.






